Dicas para contratação e gerenciamento do seguro de cargas (RCTR-C e RCF-DC)

O Brasil se move pelas estradas. Segundo dados do IBGE, 61% de toda carga do Brasil é transportada pelo sistema modal rodoviário. É um mercado imenso para o ramo de seguros, que garante a entrega dos produtos no seu destino final ou a devida compensação financeira para tranquilidade dos embarcadores. Devido à grande importância desse assunto, entrevistamos o Rafael Barros , franqueado Premium San Martin na cidade de Maceió-Al.

Rafael, o seguro de cargas é um assunto amplo e, muitas vezes, complexo. São muitos tipos de cargas, rotas e destinos. Por onde você começa para garantir o sucesso e simplificar a vida dos seus clientes?

É imprescindível visitar o cliente para coletar o quanto antes todas as informações exigidas pelas seguradoras.  Ter um conhecimento 360º do cliente ajuda muito para simplificar as coisas.  São muitos pontos importantes para se cotar e efetivar o seguro de uma carga. Só para se ter uma ideia, origens e destinos frequentes, tipos de cargas transportadas, valores médios por embarque e mês, valor limite por embarque, contratação obrigatória de gerenciamento de risco de acordo com a carga e valor, atuadores de segurança dos caminhões e check-list de segurança antes de cada embarque são alguns deles.

Existe um fator importante na contratação do seguro de carga que é o DDR (Dispensa de Direito de Regresso). Você poderia comentar um pouco sobre isso?

Antes de contratar o seguro, verifico se o embarcador (dono da carga) concedeu ao transportador a carta DDR (Dispensa do Direito de Regresso). Esta carta retira do transportador a obrigatoriedade de contratar o seguro RCTR-C (Responsabilidade Civil de Transportes Rodoviários – Cargas), pois a carga já se encontra segurada pelo seguro de transportes do embarcador. Isso diminui bastante o valor para o cliente.

Tendo a carta DDR, é preciso checar se as exigências de gerenciamento de risco da seguradora do embarcador serão atendidas totalmente pelo transportador. Às vezes, é mais vantagem para o transportador recusar a carta DDR e pagar o seguro RCTR-C a ter certos custos com gerenciamento de risco que não são exigidos por outras seguradoras.

Além do RCTR-C, temos também o RCF-DC. Qual a necessidade deste último?

O seguro RCF-DC (Responsabilidade Civil Facultativa – Desaparecimento de Carga) não é obrigatório, mas é altamente recomendável que o transportador o faça, pois é ele que cobrirá a cobertura de roubo da carga. Hoje no Brasil de cada R$ 100,00 pagos em prêmios deste seguro, R$ 72,00 são pagos em indenizações.

Algumas seguradoras têm a cobertura para depósitos do segurado inclusa na apólice RCF-DC e outras só oferecem como cobertura adicional. Procuro sempre consultar o meu cliente para saber se há essa necessidade na operação. A carga, quando coberta, não pode ficar mais de 15 dias no depósito. A cobertura, inclusa ou contratada à parte, só é válida quando o cliente informa os dados do(s) depósito(s) já na cotação.

O fator planejamento na gestão da apólice é fundamental para a redução nos preços. Comente conosco como que isso funciona.

Se o cliente transporta em média R$ 200 mil por embarque e o limite máximo é de R$ 500 mil, o ideal é colocar o limite médio pretendido em R$ 300 mil. Caso o cliente precise de mais, é possível solicitar à seguradora com 48 horas de antecedência. Mas este é um ponto que precisa de muita atenção pois é necessário certificar com o cliente se ele geralmente tem o tempo de 48 horas entre o recebimento da nota de transporte e o dia do embarque de fato. Caso não tenha, recomendo optar pelos R$ 500 mil. Mesmo  pagando um pouco mais caro, esta opção evita dores de cabeça futuras.

Além disso, reavalio ano a ano se a porcentagem média das cargas transportadas e as origens e destinos permanecem as mesmas, pois em caso de mudança devo informar para a seguradora para que seja feita a precificação mais precisa e também para evitar problemas futuros por divergência do informado na contratação.

Quando o assunto é sinistro, toda a atenção é pouca para garantir menores taxas futuras de renovação. Qual sua orientação para os segurados?

Oriente sempre o segurado antecipadamente para que, em caso de sinistro por colisão, abalroamento, capotagem ou tombamento (RCTR-C), ele solicite ao motorista que chame a polícia e não os deixe sair de perto do veículo até a chegada do vistoriador da seguradora. O risco de saque é altíssimo após esses acidentes e devemos ter sempre em mente uma coisa básica: quanto menos sinistros, menor o valor das taxas na renovação. Também observo o valor das franquias em caso de sinistro do seguro RCF-DC. O ideal é que a primeira ocorrência seja 0% ou 5%, a segunda 10 ou 15% e a terceira 20 ou 25%. Dificilmente você não terá ao menos um sinistro por ano.

Quais considerações finais sobre o assunto?

Infelizmente a insegurança nos transportes é algo muito grave em nosso país e os seguros RCTR-C e RCF-DC são extremamente necessários atualmente dado ao elevadíssimo índice de acidentes e roubos que acontecem pelas nossas estradas Brasil afora.  Em alguns trechos e regiões com risco acima da média, como o eixo Rio-São Paulo e o triângulo mineiro, alguns embarcadores têm optado por enviar cargas mais visadas, como remédios e celulares, de avião devido à insegurança. Para que meus clientes não tenham que chegar a este ponto, a qualidade dos meus serviços é fundamental. Procuro sempre estar pronto para oferecer o melhor para o meu cliente e simplificar a sua vida em um assunto tão complexo e delicado.

Rafael Barros é franqueado da San Martin, unidade Maceió Jatiúca, consultor de seguros e previdência. Atua na área de atendimento ao cliente há 15 anos, da operação à gestão, tendo sido reconhecido com duas premiações internacionais.

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